Coleção Ataque

A coleção Ataque irrompe sob efeito de junho de 2013. Este acontecimento recente da história das lutas no Brasil, a um só tempo, ecoa combates passados e lança novas dimensões para os enfretamentos presentes. O critério zero da coleção é o choque com os poderes, não apenas os ocorridos em torno das jornadas de junho. Busca-se captar ao menos uma pequena parte do fluxo de radicalidade antipolítica que escorre pelo planeta a despeito da tristeza cívica ordenada no discurso da esquerda institucionalizada. Um contra-fluxo ao que se convencionou chamar de onda conservadora. Isto leva a textos anárquicos, mas não apenas de autores e temas ligados aos anarquismos. Os títulos da coleção falam por si. Relatos de batalhas de rua, grupos de enfrentamento das forças policiais, análises sobre os controles e o terror do racismo de Estado, demolição da forma-prisão que ultrapassa os limites da prisão-prédio, enfim, temas de enfretamento com escritas que possuem um alvo. O nome da coleção foi tomado de um antigo selo punk de São Paulo que, em 1985, lançou a coletânea Ataque Sonoro. Na capa do disco dois mísseis, um soviético e outro estadunidense, apontam para a cidade de São Paulo, uma metrópole do que ainda se chamava de terceiro mundo. Um anúncio, feito ao estilo audaz dos punks, do que estava em jogo: as forças rivais atuam juntas contra o que não é governado por uma delas. Se a configuração mudou de lá para cá, a lógica e os alvos seguem os mesmos. Diante das mediações e identidades políticas, os textos dessa coleção optam pela tática do ataque frontal, conjurando as falsas dicotomias que organizam a estratégia da ordem. Livros curtos para serem levados no bolso, na mochila ou na bolsa como pedras ou coquetéis molotovs. Pensamento-tática que anima o enfrentamento colado à urgência do presente. Ao serem lançados, não se espera desses livros mais do que efeitos de antipoder, como a beleza de exibições pirotécnicas. Não há ordem, programa, receita ou estratégia a serem seguidos. Ao atacar radicalmente a única esperança possível é que se perca o controle e, como isso, dançar com o caos dentro de si. Que as leituras produzam efeitos no seu corpo.

Organização: Acácio Augusto e Renato Rezende
Conselho Editorial: Acácio Augusto (Unifesp), Amilcar Parker, Camila Jourdan (UERJ), Cecília Coimbra (TNM/RJ e UFF), Edson Passetti (PUC-SP), Eduardo Sterzi (Unicamp), Heliana Conde (UERJ), João da Mata (SOMA), Jorge Sallum (Hedra), Margareth Rago (Unicamp), Priscila Vieira (UFPR), Renato Rezende (Circuito), Salvador Schavelzon (Unifesp), Thiago Rodrigues (UFF).

Filosofia Black Bloc – Murilo Duarte Costa Correa

Neste momento em que muito ainda se falsifica sobre 2013, o livro que está nas mãos do leitor é uma importante arma que retoma as narrativas e desmistifica as tentativas de captura daquelas manifestações. O livro reconhece o acontecimento 2013 como evento múltiplo, que rompe com as categorias tradicionais da política da representação e, assim, […]

Introdução à Soma: terapia e pedagogia anarquista do corpo – João da Mata

Introdução à Soma: terapia e pedagogia anarquista do corpo não é um livro simples, mas um livro de ação direta. É um livro des- tinado àqueles e àquelas que se dispõem, não sem dor, a descobrir ao que estão sen- do levados a servir. Destina-se aos que es- tão fazendo grupo de Soma, mas também […]

2013, memórias e resistências – Camila Jourdan

A ânsia de destruir é também a ânsia de criar, disse certa vez o indomável anarquista russo Mikhail Bakunin, que nutria a elegância dos excessos e o amor pelas barricadas. O livro que está nas mãos do leitor é de uma libertária que narra, analisa, compartilha suas e outras estórias que já nascem históricas, em […]