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Imagem (pre)posição – André Parente (org.)
O trabalho de Parente é divertido, direto e aparentemente simples em sua gama de dispositivos gráficos e tecnologias de gravação e projeção. Entretanto, o trabalho muitas vezes coloca os espectadores no abismo, ou ao lado dele, ao envolver dimensões não tão simples do visível, como as inerentes à estereoscopia, visão de paralaxe, anamorfose, geometria fractal e topologia. Segundo o artista, “cada imagem fotomecânica, quer analógica ou digital, levanta a questão de sua relação com o referente”. E suas imagens, frequentemente gravadas em tempo real, desaceleram as ideias onde elas tendem a se acelerar, conforme ele as faz dar voltas e voltas até que elas (e nós) começam a parecer estranhas, estrangeiras, paradoxais e, talvez, sem sentido.
Seu exame de imagens inclui performance, desenho, escrita, fotografia, filme, vídeo e instalações interativas que conectam mídias analógicas, eletrônicas e digitais. O artista frequentemente vira as imagens do avesso, usando a repetição, esse antigo recurso poético mnemônico. A repetição no trabalho dele muitas vezes assume a forma de conexões topológicas entre o início e o fim, interior e exterior, contenção e liberação, locais e visões.
Existe uma qualidade de atemporalidade nessas imagens, de antigos ritos e tradições orais. Essas experiências extáticas são uma homenagem não só à história do cinema, mas também às experiências, centradas no corpo, do canibalismo, carnaval e fome que foram centrais aos movimentos brasileiros da antropofagia, neoconcretismo e cinema novo.
Simone Osthoff