A quebra da passagem – Hugo Mader
“O fascínio do desencanto, do desolamento, a imagem possível de um mundo deserto, o “já houve” que não há mais, parece não assustar; são apenas fotografias. Quer nos fazer olhar para tudo que não olhamos. O abandono, o desabitado, a ausência de tudo, é tudo nessas fotografias. Os lugares se repetem com poucas diferenças; no essencial são iguais. Nelas o movimento parou; toda fotografia imobiliza um instante, mas aqui essa imobilidade já é dada de antemão. Não é preciso posar ou captar o “momento decisivo” espaço-tempo, que aqui não há. Mudas, caladas; como então dialogar com elas, se permanecem nessa recusa. Se fossem duas ou três, diríamos; é circunstancial, mas são inúmeras, insistentes para não dizer eloquentes. É necessário, é essencial que seja assim.”
Paulo Venâncio Filho






